Todo champagne é espumante, mas nem todo espumante é champagne. Fato!

É importante entender que Champagne é o nome de uma região na França, conhecido e usado pelos produtores locais há séculos. Quando foi criada a AOC (designação de origem controlada francesa), o nome do produto herdou o nome da região, assim como aconteceu com inúmeras apelações de origem do País.

Todo champagne é espumante, mas nem todo espumante é champagne. Fato! 1

Já se tornou comum ouvir: “este champagne está maravilhoso” e mostra-se uma garrafa de espumante brasileiro. Errado!

A inegável qualidade dos espumantes de Champagne se deve às características únicas do seu terroir. O efeito terroir, como conhecemos, compreende, além das peculiaridades geográficas, características climáticas e culturais que determinados vinhos da região carregam. Todos os produtos são únicos devido à convergência de tempo e espaço no qual foram produzidos.

O que quer dizer que é impossível que haja outro Champagne no mundo, a não ser o produzido nessa região. Só é Champagne se for de Champagne, apesar de que, devido ao seu sucesso, espumantes em todo o mundo adotaram o seu nome.

Apesar de sua extensa área de produção – 34 mil hectares – a região de Champagne tem apenas uma AOC, o que mostra como é focada no prestígio da marca, evitando diferenças internas entre produtos.  Tudo é Champagne.  A região, na qual é produzida a bebida, possui  5 sub-regiões:  Côte des Bar, Côtes des Blancs, Côte de Sèzzanne, Montagn ede reims e Valée de la Marne.

Todo Champagne é produzido pelo método Champenoise ou tradicional, com segunda fermentação em garrafa, seguido de maturação em contato com as borras por, no mínimo, 15 meses para os vinhos não safrados e de 3 anos para os safrados. Após esse período, os espumantes passam pela degola (degorgée) e podem ser comercializados. Os Champagnes de alto nível passam por guarda ou maturação de até 10 anos, gerando produtos de altíssima qualidade, preço e expectativa de longevidade.

O blend para a produção do Champagne é composto por variedades de uvas tintas e uvas brancas. São utilizadas as tintas: Pinot Noir (38%) e Pinot Meunier (32%), e as brancas:  Chardonnay (30%) e Pinot Blanc, Pinot Gris e Arbane.

Eles também podem ser classificados de acordo com as variedades utilizadas: Blanc de Blancs, feito a partir de um vinho base branco de uvas brancas; Blanc de Noirs, feito a partir de um vinho base branco de uvas tintas; e o Rosé,  feito a partir de assemblage (mistura) de vinhos bases blanc de blancs e blanc de noirs.

Os Crus

Dentro do vasto território de produção, as grandes marcas de Champagne utilizam uvas de centenas de vinhedos diferentes para sua elaboração, caracterizando um grande blend dentro da região. Contudo, alguns vinhedos identificados como de maior qualidade são exclusivos para a elaboração dos grandes vinhos deste terroir, surgindo assim também outras classificações oficiais.

Os Crus são diferenciados da seguinte forma:

 Deuxième Cru: champagnesfeitos com 80 a 89% de uvas de um único vinhedo.

Premier Cru: produtos elaborados com 90 a 99% de uvas de um único vinhedo, certificados em  41 comunas.

Grand Cru: produzidos com 100% de uvas de um único vinhedo, estão no topo da qualidade. Só recebem esta designação vinhedos de 17 comunas: Ambonnay, Avize, Ay, Beaumont-sur-Vesle, Bouzy, Chouilly, Cramant, Louvois, Mailly Champagne, Le Mesnil-sur-Oger, Oger, Oiry, Puisieulx, Sillery, Tours-sur-Marne, Verzenay e Verzy.

Por que alguns champagnes são safrados e outros não?

A maioria dos Champagnes  não tem safra declarada, pois são feitos por assemblage de vinhos de vários anos.  Uma prática que permite manter o nível de qualidade da bebida, pois há anos em que a safra foge às características desejadas.

Já o Millésimé – Champagne safrado é produzido só com uvas do ano declarado no rótulo e é elaborado somente em grandes safras de qualidade. Por isso, são considerados os melhores Champagnes.

Quanto ao tempo envelhecimento

Antes de realizar o rémuage, as garrafas de Champagne podem permanecer na cave envelhecendo por um período diretamente proporcional à qualidade do produto: um ano para os comuns (não safrados) e até sete anos ou mais para os especiais (millésimés, tête de cuvée, cuvée, etc.).

Quanto à data do dégorgement

Os Champagnes de alta qualidade e envelhecidos por longo tempo, como os millésimés, sofrem o dégorgement apenas poucos meses antes de serem comercializados e, por isso, recebem no rótulo as letras RD, isto é, Récemment Degorgé (Recentemente Degolado).

Teor de açúcar

Quando se deseja um Champagne com teor de açúcar superior ao natural, adiciona-se ao espumante já pronto o chamado licor de expedição, que é um xarope elaborado com vinho maduro e açúcar de mosto, geralmente um segredo de cada produtor. Dependendo da quantidade de licor adicionada, o Champagne terá maior ou menor concentração final de açúcar e é classificado nos seguintes tipos:

Extra-Brut (Extra-Bruto): não recebe licor. Açúcar = 0 a 6 g/litro (este tipo é também denominado Pas-dosé ou Sauvage ou Brut-Zéro ou Brut-Intégral ou Nature);

Brut (Bruto): recebe 1% de licor. Açúcar = 6 a 15 g/litro;

Extra-Sec (Extra-Seco): recebe de 1 a 3% de licor. Açúcar = 12 a 20 g/litro;

Sec (Seco): recebe de 3 a 5% de licor. Açúcar = 17 a 35 g/litro;

Demi-sec (Meio-Seco): recebe de 4 a 8% de licor. Açúcar = 33 a 50 g/litro;

Doux (Doce):  recebe de 8 a 15% de licor. Açúcar = acima de 50 g/litro.

Ao redor do mundo são elaborados, assim como em Champagne, diversos espumantes também tem as suas denominações de origem.  Na Espanha, por exemplo, a Cava é produzida nas regiões da Catalunha, de Aragão, de Navarra, de Extremadura, de Rioja ou de Valência, sendo a Catalunha responsável por 90% dos rótulos. Já na Itália, o Prosecco é elaborado apenas em dois distritos: Valdobbiadene e Conegliano. Em outras localidades do Vêneto, a bebida é incluída na categoria indicação geográfica típica. E também a Franciacorta, uma nomenclatura menos conhecida que as demais, mas não menos emblemática, se refere a um distrito da Lombardia, famoso por seus espumantes.

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