COMO BEBER VINHO by Vinicius Santiago Sommelier Profissional

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O universo dos vinhos é amplo e pode ser complexo. Cheio de detalhes e procedimentos específicos, às vezes parece distante, intangível, impossível: principalmente quando começam a falar de ‘notas de frutas vermelhas maduras’, um ‘toque de mineralidade’, ou ainda ‘textura aveludada com taninos finos’. Mas eu estou aqui para simplificar, e mostrar que qualquer um pode – e a maior parte das pessoas deveria – beber vinhos.

Como beber vinho? Essa é uma pergunta recorrente e que tem uma resposta surpreendentemente simples, com apenas dois passos:

  1. Abra o recipiente onde o vinho se encontra (garrafa, garrafão, Tetra Pak, pipa, barrica, litrão, bag-in-box, etc…)
  2. Beba o vinho.

Qualquer outro passo ou etapa é enfeite. E esses detalhes podem tornar nossa experiência com o vinho mais prazerosa, mas não devem impedir que bebamos vinho. Na Toscana, por exemplo, os camponeses sempre beberam vinho em casa, como hábito, uma parte importante de sua cultura alimentar. E tomam vinho em pequenos copos de cerâmica ou vidro. As taças ficam reservadas para as visitas, no dia-a-dia não há a necessidade do luxo – e da chance de quebra e prejuízo – do cristal.

E onde ficam a temperatura correta, a taça adequada, a luminosidade do ambiente, o paladar limpo, a harmonização perfeita? Tudo isso é essencial na degustação. Que é bem diferente de beber. O objetivo da degustação é fazer uma análise do vinho utilizando nossos sentidos, para compreender e classificar, utilizando técnicas específicas. Mas no almoço de domingo em família, a gente bebe. No feriadão, sentado na areia da praia olhando as ondas, a gente bebe. Ao chegar em casa depois de um dia exaustivo de trabalho, colocando uma música pra tocar e relaxar, a gente bebe. E beber vinho é apenas desfrutar dele. Sem a necessidade de análise crítica profunda, sem classificação por pontos, estrelas ou tacinhas, sem contar os segundos de persistência aromática intensa e, principalmente, sem cuspir – a não ser que o vinho seja ruim.

Finalizo propondo uma experiência na próxima vez que você for beber vinho em casa: elimine o máximo possível de enfeites. Pegue a primeira garrafa disponível, não importa se o vinho é caro ou barato, brasileiro ou importado, simples ou complexo. Pegue um copo no armário, vale até o de requeijão. Abra a garrafa (ou qualquer outro recipiente) e sirva o vinho. Coloque uma música agradável pra tocar, sente-se confortavelmente e, se estiver companhia, converse enquanto bebe o vinho. Se dessa vez for só você, vá bebendo o vinho sem frescuras, sem agitar o copo, sem definir aromas e sabores. Deixe o vinho ser coadjuvante dessa vez. E o principal será você (só ou com companhia), será o jantar ou o petisco, será a música que embala o momento, será a alegria de viver. Porque é assim que se bebe vinho da melhor maneira possível.

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